Juros

Aumento da taxa de juros em 2021 é o maior do país em duas décadas

Selic subiu 4,25 pontos, de 2% para 6,25%, em apenas sete meses; desde 2003 a taxa não subia tanto e em tão pouco tempo

Com mais uma alta de 1 ponto percentual feita pelo Banco Central na Selic nesta quarta-feira (22), a taxa básica de juros do país já carrega até aqui o maior aumento feito pelo BC em quase duas décadas.

Ela vem subindo desde março deste ano, quando saiu de 2% para chegar aos 6,25% desta quarta-feira. Foi um salto de 4,25 pontos em cinco reuniões consecutivas, realizadas ao longo de sete meses: nos três primeiros encontros, o incremento foi de 0,75 ponto percentual e, nos dois últimos, de 1 ponto cada.

Desde a virada de 2002 para 2003 ela não subia tanto e em tão pouco tempo, de acordo com levantamento feito pelo CNN Business.

A Selic é uma taxa de juros controlada pelo BC, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), e que serve de piso para os juros de todos os empréstimos e investimentos de renda fixa do país.

A função dela é moderar a inflação: quando os preços estão subindo muito, o Copom aumenta os juros, o que encarece o crédito, desestimula o consumo e, por consequência, ajuda os preços a voltarem a baixar.

O Copom é um comitê formado pelo presidente e os diretores do BC e se reúne a cada 45 dias para decidir se reduz, mantém ou aumenta a Selic.

Maiores altas desde 2003

Em nenhum outro ciclo de alta dos juros, desde 2003, o aumento foi maior do que 4 pontos, consideradas as séries de ajustes feitos em reuniões consecutivas.

Entre 2013 e 2014, quando a inflação rodava a 6%, o aumento total foi de 3,75 pontos (de uma Selic de 7,25% para 11%), em nove reuniões seguidas, ao longo de um ano inteiro.

O mesmo aconteceu entre 2004 e 2005: foram 3,75 pontos ao longo de nove reuniões — de 16% para 19,75% —, para uma inflação que subia aos 8%.

No mês passado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país, bateu 9,7% em 12 meses.

Esta é também a primeira vez desde 2003 que o Copom recorre ao aumento de 1 ponto nos juros não uma, mas duas vezes seguidas, além de o próprio BC já ter deixado claro no comunicado desta quarta-feira que mais um terceiro aumento de 1 ponto está encomendado para o próximo encontro, em outubro.

Em todos os outros momentos de lá para cá em que a Selic subiu, os diretores do BC optaram por voos mais suaves, em ajustes decimais de 0,25, 0,50 ou 0,75 ponto percentual.

Nem os cortes emergenciais feitos pelo BC no auge da crise da pandemia no ano passado, na direção oposta, foram tão fortes: nas quatro reuniões entre março, quando o coronavírus se instalou no Brasil, e agosto de 2020, o Copom reduziu a Selic em um total de 2,25 pontos, de 4,25% para 2%, com cortes de até 0,75 ponto.

Nos apenas quatro meses entre novembro de 2002 e fevereiro de 2003, o BC esticou a Selic em 5,5 pontos, dos 22% aos 26,5%, em uma série de quatro reuniões consecutivas. A periodicidade das reuniões à época era mais curta. Em uma delas, a alta foi de 3 pontos em um único dia.

O ajuste acompanhava aquela que, ainda hoje, foi a mais aguda crise cambial e inflacionária por qual o país passou desde o fim do regime de câmbio fixo, em 1999: com o temor dos mercados em meio à primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, o dólar dobrou em poucos meses, e a inflação saltou dos 7% para 17%.

Maior choque inflacionário em 18 anos

Por trás da atual escalada vertical da Selic está, primeiro, o fato de ela partir de um piso muito baixo.

“É uma alta que vem de um ciclo longo de cortes, incluindo o choque da pandemia que levou os juros rapidamente para os 2%”, disse o economista Livio Ribeiro, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

Mais do que isso, o país também está enfrentando atualmente um dos piores choques de preços dessas duas décadas, insuflado tanto por fatores externos quanto internos.

“Houve uma combinação de coisas que atrapalharam a inflação”, explica Ribeiro. “O Brasil teve um incremento de demanda rápido, principalmente no ano passado, com os auxílios emergenciais. Mais recentemente temos choques nas cadeias produtivas globais, e, em paralelo, choques climáticos que levaram a oferta de alimentos para baixo e os preços da energia elétrica lá para cima.”

O combo fez com a escalada da inflação em 2021 ser também a mais rápida que o Brasil já viu desde o choque de 2002 e 2003: o IPCA saiu em maio do ano passado de 1,9%, um dos menores níveis desde o início do Plano Real, para 9,7% agora, um dos mais altos. É um salto de 7,8 pontos percentuais em pouco mais de um ano.

Na crise de 2015, ela bateu os 10,7%, mas chegou lá em um ritmo mais gradual e também partindo de um nível bem mais alto, já que a inflação vinha rodando entre 5% e 6% já há algum tempo.

Em 2002, o salto de 10 pontos aconteceu em um intervalo de apenas nove meses, para depois despencar com ainda mais força.

Reduções de juros foram mais fortes

Se há poucos outros momentos neste século em que a intensidade do aumento da Selic se compare com a de agora, nos períodos em que ela foi reduzida os ajustes foram muito maiores.

Entre 2005 e 2007, por exemplo, foram dois anos ininterruptos de cortes que tiraram definitivamente a Selic do nível dos quase 20% em que era normal ficar no passado para chegar à casa dos 11% pela primeira vez (foi um corte de 8,5 pontos percentuais ao longo de 18 reuniões consecutivas do Copom).

Passado o susto de 2003, os juros desceram uma ladeira de 10 pontos em apenas sete meses – do recorde de 26,5% para 16,5% antes de o ano acabar.

Em todos esses episódios, muitos dos cortes feitos pelo Copom nas reuniões foram de 1 ponto ou mais.

“Passamos por um processo longo de redução da taxa de juros de equilíbrio da economia brasileira”, disse Ribeiro, da FGV.

“Por um lado, houve uma redução dessa taxa no mundo inteiro. Por outro, em um horizonte bem longo, há inúmeras mudanças institucionais que ajudaram a comprimir a percepção de risco do Brasil e a levar esses juros para baixo.”

Fonte: CNN Brasil | Imagem Destacada: Reprodução

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juros

Copom eleva taxa básica de juros para 4,25% ao ano

Decisão de elevar a Selic pela terceira vez era esperada pelo mercado

O Banco Central (BC) subiu os juros básicos da economia em 0,75 ponto percentual, pela terceira vez consecutiva. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (16) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), elevou a taxa Selic de 3,5% para 4,25% ao ano. A elevação foi deliberada de forma unânime pelos integrantes do colegiado, que é formado por diretores do BC, e era esperada pelos analistas financeiros.

Em comunicado, o BC indicou que deve seguir elevando a taxa Selic na próxima reunião, marcada para os dias 3 e 4 de agosto. "Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude. Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação", informou o texto.

No comunicado, o Copom destacou que a pressão inflacionária revela-se maior que o esperado, "sobretudo entre os bens industriais". "Adicionalmente, a lentidão da normalização nas condições de oferta, a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, a despeito da recente apreciação do real. O Comitê segue atento à evolução desses choques e seus potenciais efeitos secundários, assim como ao comportamento dos preços de serviços conforme os efeitos da vacinação sobre a economia se tornam mais significativos", informou o comunicado.

Com a decisão de hoje, a Selic continua em um ciclo de alta, depois de passar seis anos sem ser elevada. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em 14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegou a 6,5% ao ano, em março de 2018.

Em julho de 2019, a Selic voltou a ser reduzida até alcançar 2% ao ano em agosto de 2020, influenciada pela contração econômica gerada pela pandemia de covid-19. Esse era o menor nível da série histórica iniciada em 1986. Porém, a taxa começou a subir novamente em março deste ano, passando para 2,75%. Depois, em maio, subiu de novo, para 3,5%.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em maio, o indicador fechou no maior nível para o mês desde 1996. No acumulado de 12 meses, o IPCA acumula alta de 8,06%. De janeiro a maio deste ano, a inflação foi de 3,22%.

O valor está acima do teto da meta de inflação. Para 2021, o Conselho Monetário Nacional (CMN) tinha fixado meta de inflação de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Com isso, o IPCA não poderia superar 5,25% neste ano nem ficar abaixo de 2,25%.

No Relatório de Inflação divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária estimava que, em 2021, o IPCA fecharia o ano em 5% no cenário base. Esse cenário considera um eventual estouro do teto da meta de inflação no primeiro semestre, seguido de queda dos índices no segundo semestre. A projeção oficial só será atualizada no próximo Relatório de Inflação, no fim de junho.

Já a projeção do mercado prevê uma inflação ainda maior, acima até do teto da meta. De acordo com o último boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 5,82%, na 10ª alta consecutiva da projeção.

Crédito mais caro

A elevação da taxa Selic ajuda a controlar a inflação. Isso porque juros maiores encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia.

No último Relatório de Inflação, o Banco Central projetava crescimento de 3,6% para a economia em 2021, decorrente da segunda onda da pandemia de covid-19. No Boletim Macrofiscal de Maio, divulgado no mês passado pelo Ministério da Economia, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) para 2021 foi de 3,5%.

O mercado projeta crescimento maior. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 4,85% do PIB este ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

Fonte: Agência Brasil | Imagem Destacada: Reprodução

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cenário 'confortável' para a inflação

Sem choques adicionais na economia, BC vê cenário ‘confortável’ para a inflação

Sem choques adicionais na economia, BC vê cenário 'confortável' para a inflação

Informação está na ata da última reunião do Copom, que manteve os juros em 6,5% ao ano. Em cenário estável, BC vê inflação na meta em 2018 e 2019, sem necessidade aumento de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou nesta terça-feira (7), por meio da ata de sua última reunião – quando a taxa Selic ficou estável em 6,5% ao ano – que, na ausência de "choques adicionais" sobre a economia, o cenário inflacionário deve revelar-se "confortável".

Os membros do Copom – colegiado formado pela diretoria e presidente da instituição e responsável por fixar os juros básicos da economia – concordaram que a inflação no mês de junho, que somou 1,26% (maior taxa para o mês de junho desde 1995), refletiu efeitos "significativos" da paralisação no setor de transportes e outros ajustes de preços relativos.

Acresentaram, porém, que projeções de inflação para julho e agosto reforçam a visão de que os "efeitos desses choques devem ser temporários".

O Banco Central optou por não indicar quais podem ser os próximos passos na definição da taxa básica de juros. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 18 e 19 de setembro.

"O maior nível de incerteza da atual conjuntura gera necessidade de maior flexibilidade para condução da política monetária [definição dos juros], o que recomenda abster-se de fornecer indicações sobre os próximos passos da política monetária", explicou o BC.

Com a manutenção dos juros básicos em 6,5% ao ano na semana passada, a terceira consecutiva, a taxa Selic continuou no menor nível da série histórica do Banco Central – que teve início em 1986.

Expectativa do mercado e previsões do BC

expectativa dos analistas do mercado, coletada semanalmente por meio de pesquisa do BC com mais de 100 instituições financeiras, é de que os juros devem permanecer em 6,5% ao ano até o fim de 2018 e depois subir para 8% ao ano até o fechamento do ano que vem. Ou seja, a expectativa é de alta nos juros em 2019.

Na ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, o BC avalia que a inflação deve ficar em 4,2% neste ano e em 3,8% em 2019, considerando o aumento da taxa básica de juros para 8% ao ano até o fim de 2019, e também a taxa de câmbio esperada pelo mercado (R$ 3,70 por dólar no fim de 2018 e de 2019).

Porém, o BC também informou que, se a taxa de câmbio ficar constante em R$ 3,75 por dólar e os juros permanecerem no atual patamar de 6,5% ao ano, suas previsões oficiais de inflação, para este ano e para o próximo, estão em 4,2% e 4,1%, respectivamente.

Deste modo, o BC indica que, sem alterações no cenário básico projetado para a economia, não será necessário subir os juros básicos no próximo ano para atingir a meta central de inflação de 4,25% fixada para o ano de 2019.

Riscos inflacionários

O BC aponta, porém, que há riscos inflacionários que podem alterar as atuais perspectivas de inflação.

Segundo a instituição, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira "pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária (definição dos juros)".

"Esse risco se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes. O Comitê julga que esses últimos riscos permanecem em níveis mais elevados", acrescentou o Copom, por meio da ata de sua última reunião.

Atividade fraca

Por outro lado, o BC também avalia que a economia "segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego".

O BC acrescentou que o cenário básico do Copom, para a economia brasileira, contempla continuidade do processo de recuperação da economia brasileira, "embora em ritmo mais gradual que o estimado" antes da paralisação dos caminhoneiros.

Por fim, o Copom avaliou que existe a possibilidade de propagação do nível baixo de inflação passada, e do nível de ociosidade ainda elevado, para a trajetória de inflação – que pode ficar "abaixo do esperado".

Decisão do Copom

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5% (com teto de 6,5%) e, para 2019, é de 4,25% (teto de 5,75%).

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o BC reduz os juros; quando estão acima da trajetória esperada, a taxa Selic é elevada.

Nessa última reunião, e nas próximas deste ano, o BC começa a focar suas definições sobre a taxa de juros com base no cenário de inflação projetado para o ano de 2019 - pois as decisões sobre a taxa Selic demoram cerca de seis meses para terem impacto pleno na economia e nos preços.

Fonte: G1 | Imagem: Pixabay

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Copom reduz juro básico

Copom reduz juro básico para 6,75% ao ano, menor taxa desde 1986

Copom reduz juro básico para 6,75% ao ano, menor taxa desde 1986

Corte é o 11º seguido na Selic. Em ata, BC aponta para fim do ciclo de redução da taxa, mas diz que pode fazer novo corte dependendo de 'mudanças no cenário econômico'.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (7) a redução da taxa básica de juros da economia, que passou de 7% para 6,75% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado.

Este foi o 11º corte consecutivo na Selic, que alcançou o menor patamar já registrado desde o início do regime de metas de inflação, em 1999. Também é a menor taxa de juros de toda a série histórica do BC, iniciada em 1986.

Os principais bancos do país anunciaram uma nova redução das taxas de juros cobradas no crédito para pessoas físicas e empresas. Os comunicados de Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Santander foram divulgados à imprensa minutos após a decisão do Copom.

Fim do ciclo de cortes

No documento em que comunica a decisão, o Copom informou que, dado o cenário atual, o mais adequado é encerrar o ciclo de redução da Selic.

"Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, o Comitê vê, neste momento, como mais adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária", diz o comunicado. A próxima reunião do Copom será em 21 de março.

Entretanto, o comitê ressalvou que possíveis mudanças no cenário econômico até esta data podem levar a um novo corte dos juros.

Reforma da Previdência

Entre os fatores que serão levados em consideração pelo Copom para tomar a decisão sobre um novo corte nos juros está "a continuidade das reformas e ajustes econômicos necessários na economia brasileira", como a reforma da Previdência, que pode ter efeito negativo para a inflação.

"O Comitê enfatiza que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural”, diz o texto.

Outro fator é o mercado internacional, que tem passado por um período de volatilidade. O Copom afirmou que, por ora, "o cenário externo tem se mostrado favorável" para o controle da inflação brasileira.

"Isso tem contribuído até o momento para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes, apesar da volatilidade recente das condições financeiras nas economias avançadas”, diz.

No entanto, o documento ressalta que "o risco [para a inflação] se intensifica no caso de reversão do corrente cenário externo favorável para economias emergentes".

Pouco depois do anúncio do BC, o presidente Michel Temer usou sua conta no Twitter para comemorar a decisão. De acordo com ele, a redução dos juros é um incentivo para investimentos e para a geração de empregos no país.

A expectativa do mercado, colhida pelo Banco Central e divulgada no relatório Focus na segunda-feira, aponta para uma estabilidade dos juros a partir de agora. Os analistas preveem que a Selic permanecerá em 6,75% ao ano até o fim de 2018, o que significaria o fim o ciclo contínuo de redução da taxa, iniciado em outubro de 2016.

Meta fiscal

A definição da taxa de juros pelo Banco Central tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2018, a meta central é de 4,5%, mas a norma permite variação entre 3% e 6%. O mais recente relatório Focus mostra que o mercado projeta uma inflação de 3,94% ao final do ano, portanto, abaixo do centro da meta.

Quando reajusta a Selic para cima, o BC pretende conter o excesso de demanda que pressiona os preços. Os juros mais altos encarecem o crédito e freiam o consumo. Mas esse processo precisa ser cauteloso para não prejudicar a economia, por exemplo, desestimulando investimentos e gerando desemprego.

Se as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, como ocorre no cenário atual, é possível reduzir os juros. Isso permite maior endividamento das famílias e empresas e estimula a produção e o consumo. Essa decisão também precisa ser ajustada de forma a evitar o descontrole dos preços.

A Selic também serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Apesar da queda contínua da taxa, os bancos continuam a cobrar juros muito elevados dos clientes.

Em 2017, a taxa média de todas as operações (com recursos livres, isto é, sem destinação obrigatória determinada por lei) somou 40,3% ao ano. O cheque especial, por exemplo, fechou o ano passado com juros de 323% ao ano.

Poupança

As alterações na taxa Selic influenciam diretamente no rendimento da poupança. Com a decisão desta quarta do Copom, os ganhos das cadernetas também cairão a partir desta quinta (8).

Isso porque a regra atual, em vigor desde maio de 2012, prevê corte nos rendimentos da poupança sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano. Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial (TR), fixada pelo BC.

Com a taxa em 6,75%, a correção anual da poupança será de 4,725% ao ano, mais TR.

Fonte: G1

boleto

Boleto em qualquer lugar

Boleto em qualquer lugar

Conta vencida é aceita em banco, internet, lotérica, mas só em dezembro será para todos

THÂMARA KAORUDO UOL, EM SÃO PAULO

Getty Images

Esqueceu de pagar a conta e ela venceu? Em breve, mesmo vencida, ela poderá ser paga em qualquer banco, pela internet ou nas lotéricas. A mudança começa nesta segunda-feira (10) para boletos a partir de R$ 50 mil e, até o final do ano, deve valer para boletos de qualquer valor. Entenda a seguir como isso vai funcionar. As informações são da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos).

Como é hoje

Se o boleto vence, o consumidor precisa ir até o banco que emitiu o documento para pagá-lo. Só o banco emissor tem as informações sobre multa, juros e demais encargos que devem ser cobrados após o vencimento. Por isso, pe preciso ir até o caixa daquele banco para fazer o pagamento.

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Como vai ficar

Ao emitir um boleto, o banco terá que registrar as informações sobre aquela cobrança em um sistema nacional. Por exemplo, o valor a ser pago, quanto será cobrado de multa, juros e encargos após o vencimento, além de dados de quem deve pagar e de quem irá receber. Mesmo se o boleto estiver vencido, qualquer banco (não só o emissor do boleto) conseguirá acessar esse sistema e calcular o valor a ser pago pelo consumidor.

A regra vale para boletos vencidos de qualquer valor?

Por enquanto, apenas os boletos vencidos acima de R$ 50 mil poderão ser pagos em qualquer banco. Até o final do ano, a regra valerá para todos. A mudança acontecerá aos poucos. Veja o calendário:

  • A partir de R$ 50 mil: começa a valer em 10 de julho
  • De R$ 49.999,99 a R$ 2.000: começa a valer em 11 de setembro
  • De R$ 1.999,99 a R$ 500: começa a valer em 9 de outubro
  • De R$ 499,99 a R$ 200: começa a valer em 13 de novembro
  • Abaixo de R$ 200: começa a valer em 11 de dezembro

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Será possível pagar pela internet ou celular?

Sim. Segundo a Febraban, o boleto vencido poderá ser pago por meio de qualquer canal, seja internet banking, aplicativos de celular ou caixas eletrônicos. Também será possível fazer o pagamento em correspondentes bancários --como lotéricas, Correios e supermercados.

Dúvidas

 

Getty Images/iStockphoto

E se o boleto for pago duas vezes?

O novo sistema não vai aceitar mais de um pagamento para o mesmo boleto, segundo a Febraban.

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Terei que calcular o valor da multa?

Não. O sistema vai calcular o valor da multa e os juros automaticamente, na hora em que o cliente for fazer o pagamento.

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O comprovante de pagamento vai mudar?

Sim. O comprovante trará todos os detalhes do boleto (juros, multa e desconto), as informações do beneficiário e do pagador.

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Possíveis falhas

Quando o consumidor for pagar o boleto vencido, será feita uma consulta para checar se os dados do boleto coincidem com aqueles que estão registrados no sistema nacional. Se estiverem iguais, a operação é validada. Porém, se houve alguma informação diferente, o pagamento não será autorizado e o consumidor terá que usar o método antigo: procurar especificamente o banco que emitiu o boleto.

Contra boletos falsificados

Uma das vantagens do novo sistema, segundo a Febraban, é evitar fraudes com boletos.

Todas as informações de um boleto registrado pelo banco emissor serão validadas pelo banco que estiver recebendo o pagamento. Os dados precisam coincidir e a plataforma conseguirá fazer essa "contraprova", o que evitaria fraudes.

A federação cita o exemplo de quadrilhas que enviam aos condôminos boletos falsificados e que acabam sendo pagos como se fossem emitidos pela imobiliária. Com a plataforma, se o consumidor tentar quitar a dívida com um documento falso, as informações não vão bater e o pagamento não será autorizado.

Fonte: UOL Economia

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