cenário 'confortável' para a inflação

Sem choques adicionais na economia, BC vê cenário ‘confortável’ para a inflação

Sem choques adicionais na economia, BC vê cenário 'confortável' para a inflação

Informação está na ata da última reunião do Copom, que manteve os juros em 6,5% ao ano. Em cenário estável, BC vê inflação na meta em 2018 e 2019, sem necessidade aumento de juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou nesta terça-feira (7), por meio da ata de sua última reunião – quando a taxa Selic ficou estável em 6,5% ao ano – que, na ausência de "choques adicionais" sobre a economia, o cenário inflacionário deve revelar-se "confortável".

Os membros do Copom – colegiado formado pela diretoria e presidente da instituição e responsável por fixar os juros básicos da economia – concordaram que a inflação no mês de junho, que somou 1,26% (maior taxa para o mês de junho desde 1995), refletiu efeitos "significativos" da paralisação no setor de transportes e outros ajustes de preços relativos.

Acresentaram, porém, que projeções de inflação para julho e agosto reforçam a visão de que os "efeitos desses choques devem ser temporários".

O Banco Central optou por não indicar quais podem ser os próximos passos na definição da taxa básica de juros. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 18 e 19 de setembro.

"O maior nível de incerteza da atual conjuntura gera necessidade de maior flexibilidade para condução da política monetária [definição dos juros], o que recomenda abster-se de fornecer indicações sobre os próximos passos da política monetária", explicou o BC.

Com a manutenção dos juros básicos em 6,5% ao ano na semana passada, a terceira consecutiva, a taxa Selic continuou no menor nível da série histórica do Banco Central – que teve início em 1986.

Expectativa do mercado e previsões do BC

expectativa dos analistas do mercado, coletada semanalmente por meio de pesquisa do BC com mais de 100 instituições financeiras, é de que os juros devem permanecer em 6,5% ao ano até o fim de 2018 e depois subir para 8% ao ano até o fechamento do ano que vem. Ou seja, a expectativa é de alta nos juros em 2019.

Na ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, o BC avalia que a inflação deve ficar em 4,2% neste ano e em 3,8% em 2019, considerando o aumento da taxa básica de juros para 8% ao ano até o fim de 2019, e também a taxa de câmbio esperada pelo mercado (R$ 3,70 por dólar no fim de 2018 e de 2019).

Porém, o BC também informou que, se a taxa de câmbio ficar constante em R$ 3,75 por dólar e os juros permanecerem no atual patamar de 6,5% ao ano, suas previsões oficiais de inflação, para este ano e para o próximo, estão em 4,2% e 4,1%, respectivamente.

Deste modo, o BC indica que, sem alterações no cenário básico projetado para a economia, não será necessário subir os juros básicos no próximo ano para atingir a meta central de inflação de 4,25% fixada para o ano de 2019.

Riscos inflacionários

O BC aponta, porém, que há riscos inflacionários que podem alterar as atuais perspectivas de inflação.

Segundo a instituição, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira "pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária (definição dos juros)".

"Esse risco se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes. O Comitê julga que esses últimos riscos permanecem em níveis mais elevados", acrescentou o Copom, por meio da ata de sua última reunião.

Atividade fraca

Por outro lado, o BC também avalia que a economia "segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego".

O BC acrescentou que o cenário básico do Copom, para a economia brasileira, contempla continuidade do processo de recuperação da economia brasileira, "embora em ritmo mais gradual que o estimado" antes da paralisação dos caminhoneiros.

Por fim, o Copom avaliou que existe a possibilidade de propagação do nível baixo de inflação passada, e do nível de ociosidade ainda elevado, para a trajetória de inflação – que pode ficar "abaixo do esperado".

Decisão do Copom

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5% (com teto de 6,5%) e, para 2019, é de 4,25% (teto de 5,75%).

Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o BC reduz os juros; quando estão acima da trajetória esperada, a taxa Selic é elevada.

Nessa última reunião, e nas próximas deste ano, o BC começa a focar suas definições sobre a taxa de juros com base no cenário de inflação projetado para o ano de 2019 - pois as decisões sobre a taxa Selic demoram cerca de seis meses para terem impacto pleno na economia e nos preços.

Fonte: G1 | Imagem: Pixabay

Blog BBG

Acesse nosso BLOG e leia todas as matérias publicadas em nosso site.
Copom reduz juro básico

Copom reduz juro básico para 6,75% ao ano, menor taxa desde 1986

Copom reduz juro básico para 6,75% ao ano, menor taxa desde 1986

Corte é o 11º seguido na Selic. Em ata, BC aponta para fim do ciclo de redução da taxa, mas diz que pode fazer novo corte dependendo de 'mudanças no cenário econômico'.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (7) a redução da taxa básica de juros da economia, que passou de 7% para 6,75% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado.

Este foi o 11º corte consecutivo na Selic, que alcançou o menor patamar já registrado desde o início do regime de metas de inflação, em 1999. Também é a menor taxa de juros de toda a série histórica do BC, iniciada em 1986.

Os principais bancos do país anunciaram uma nova redução das taxas de juros cobradas no crédito para pessoas físicas e empresas. Os comunicados de Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Santander foram divulgados à imprensa minutos após a decisão do Copom.

Fim do ciclo de cortes

No documento em que comunica a decisão, o Copom informou que, dado o cenário atual, o mais adequado é encerrar o ciclo de redução da Selic.

"Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, o Comitê vê, neste momento, como mais adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária", diz o comunicado. A próxima reunião do Copom será em 21 de março.

Entretanto, o comitê ressalvou que possíveis mudanças no cenário econômico até esta data podem levar a um novo corte dos juros.

Reforma da Previdência

Entre os fatores que serão levados em consideração pelo Copom para tomar a decisão sobre um novo corte nos juros está "a continuidade das reformas e ajustes econômicos necessários na economia brasileira", como a reforma da Previdência, que pode ter efeito negativo para a inflação.

"O Comitê enfatiza que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural”, diz o texto.

Outro fator é o mercado internacional, que tem passado por um período de volatilidade. O Copom afirmou que, por ora, "o cenário externo tem se mostrado favorável" para o controle da inflação brasileira.

"Isso tem contribuído até o momento para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes, apesar da volatilidade recente das condições financeiras nas economias avançadas”, diz.

No entanto, o documento ressalta que "o risco [para a inflação] se intensifica no caso de reversão do corrente cenário externo favorável para economias emergentes".

Pouco depois do anúncio do BC, o presidente Michel Temer usou sua conta no Twitter para comemorar a decisão. De acordo com ele, a redução dos juros é um incentivo para investimentos e para a geração de empregos no país.

A expectativa do mercado, colhida pelo Banco Central e divulgada no relatório Focus na segunda-feira, aponta para uma estabilidade dos juros a partir de agora. Os analistas preveem que a Selic permanecerá em 6,75% ao ano até o fim de 2018, o que significaria o fim o ciclo contínuo de redução da taxa, iniciado em outubro de 2016.

Meta fiscal

A definição da taxa de juros pelo Banco Central tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2018, a meta central é de 4,5%, mas a norma permite variação entre 3% e 6%. O mais recente relatório Focus mostra que o mercado projeta uma inflação de 3,94% ao final do ano, portanto, abaixo do centro da meta.

Quando reajusta a Selic para cima, o BC pretende conter o excesso de demanda que pressiona os preços. Os juros mais altos encarecem o crédito e freiam o consumo. Mas esse processo precisa ser cauteloso para não prejudicar a economia, por exemplo, desestimulando investimentos e gerando desemprego.

Se as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, como ocorre no cenário atual, é possível reduzir os juros. Isso permite maior endividamento das famílias e empresas e estimula a produção e o consumo. Essa decisão também precisa ser ajustada de forma a evitar o descontrole dos preços.

A Selic também serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Apesar da queda contínua da taxa, os bancos continuam a cobrar juros muito elevados dos clientes.

Em 2017, a taxa média de todas as operações (com recursos livres, isto é, sem destinação obrigatória determinada por lei) somou 40,3% ao ano. O cheque especial, por exemplo, fechou o ano passado com juros de 323% ao ano.

Poupança

As alterações na taxa Selic influenciam diretamente no rendimento da poupança. Com a decisão desta quarta do Copom, os ganhos das cadernetas também cairão a partir desta quinta (8).

Isso porque a regra atual, em vigor desde maio de 2012, prevê corte nos rendimentos da poupança sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano. Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da Selic, mais a Taxa Referencial (TR), fixada pelo BC.

Com a taxa em 6,75%, a correção anual da poupança será de 4,725% ao ano, mais TR.

Fonte: G1

boleto

Boleto em qualquer lugar

Boleto em qualquer lugar

Conta vencida é aceita em banco, internet, lotérica, mas só em dezembro será para todos

THÂMARA KAORUDO UOL, EM SÃO PAULO

Getty Images

Esqueceu de pagar a conta e ela venceu? Em breve, mesmo vencida, ela poderá ser paga em qualquer banco, pela internet ou nas lotéricas. A mudança começa nesta segunda-feira (10) para boletos a partir de R$ 50 mil e, até o final do ano, deve valer para boletos de qualquer valor. Entenda a seguir como isso vai funcionar. As informações são da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos).

Como é hoje

Se o boleto vence, o consumidor precisa ir até o banco que emitiu o documento para pagá-lo. Só o banco emissor tem as informações sobre multa, juros e demais encargos que devem ser cobrados após o vencimento. Por isso, pe preciso ir até o caixa daquele banco para fazer o pagamento.

Getty Images

Como vai ficar

Ao emitir um boleto, o banco terá que registrar as informações sobre aquela cobrança em um sistema nacional. Por exemplo, o valor a ser pago, quanto será cobrado de multa, juros e encargos após o vencimento, além de dados de quem deve pagar e de quem irá receber. Mesmo se o boleto estiver vencido, qualquer banco (não só o emissor do boleto) conseguirá acessar esse sistema e calcular o valor a ser pago pelo consumidor.

A regra vale para boletos vencidos de qualquer valor?

Por enquanto, apenas os boletos vencidos acima de R$ 50 mil poderão ser pagos em qualquer banco. Até o final do ano, a regra valerá para todos. A mudança acontecerá aos poucos. Veja o calendário:

  • A partir de R$ 50 mil: começa a valer em 10 de julho
  • De R$ 49.999,99 a R$ 2.000: começa a valer em 11 de setembro
  • De R$ 1.999,99 a R$ 500: começa a valer em 9 de outubro
  • De R$ 499,99 a R$ 200: começa a valer em 13 de novembro
  • Abaixo de R$ 200: começa a valer em 11 de dezembro

Getty Images

Será possível pagar pela internet ou celular?

Sim. Segundo a Febraban, o boleto vencido poderá ser pago por meio de qualquer canal, seja internet banking, aplicativos de celular ou caixas eletrônicos. Também será possível fazer o pagamento em correspondentes bancários --como lotéricas, Correios e supermercados.

Dúvidas

 

Getty Images/iStockphoto

E se o boleto for pago duas vezes?

O novo sistema não vai aceitar mais de um pagamento para o mesmo boleto, segundo a Febraban.

Getty Images

Terei que calcular o valor da multa?

Não. O sistema vai calcular o valor da multa e os juros automaticamente, na hora em que o cliente for fazer o pagamento.

iStock

O comprovante de pagamento vai mudar?

Sim. O comprovante trará todos os detalhes do boleto (juros, multa e desconto), as informações do beneficiário e do pagador.

Getty Images

Possíveis falhas

Quando o consumidor for pagar o boleto vencido, será feita uma consulta para checar se os dados do boleto coincidem com aqueles que estão registrados no sistema nacional. Se estiverem iguais, a operação é validada. Porém, se houve alguma informação diferente, o pagamento não será autorizado e o consumidor terá que usar o método antigo: procurar especificamente o banco que emitiu o boleto.

Contra boletos falsificados

Uma das vantagens do novo sistema, segundo a Febraban, é evitar fraudes com boletos.

Todas as informações de um boleto registrado pelo banco emissor serão validadas pelo banco que estiver recebendo o pagamento. Os dados precisam coincidir e a plataforma conseguirá fazer essa "contraprova", o que evitaria fraudes.

A federação cita o exemplo de quadrilhas que enviam aos condôminos boletos falsificados e que acabam sendo pagos como se fossem emitidos pela imobiliária. Com a plataforma, se o consumidor tentar quitar a dívida com um documento falso, as informações não vão bater e o pagamento não será autorizado.

Fonte: UOL Economia