Juros

Aumento da taxa de juros em 2021 é o maior do país em duas décadas

Selic subiu 4,25 pontos, de 2% para 6,25%, em apenas sete meses; desde 2003 a taxa não subia tanto e em tão pouco tempo

Com mais uma alta de 1 ponto percentual feita pelo Banco Central na Selic nesta quarta-feira (22), a taxa básica de juros do país já carrega até aqui o maior aumento feito pelo BC em quase duas décadas.

Ela vem subindo desde março deste ano, quando saiu de 2% para chegar aos 6,25% desta quarta-feira. Foi um salto de 4,25 pontos em cinco reuniões consecutivas, realizadas ao longo de sete meses: nos três primeiros encontros, o incremento foi de 0,75 ponto percentual e, nos dois últimos, de 1 ponto cada.

Desde a virada de 2002 para 2003 ela não subia tanto e em tão pouco tempo, de acordo com levantamento feito pelo CNN Business.

A Selic é uma taxa de juros controlada pelo BC, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), e que serve de piso para os juros de todos os empréstimos e investimentos de renda fixa do país.

A função dela é moderar a inflação: quando os preços estão subindo muito, o Copom aumenta os juros, o que encarece o crédito, desestimula o consumo e, por consequência, ajuda os preços a voltarem a baixar.

O Copom é um comitê formado pelo presidente e os diretores do BC e se reúne a cada 45 dias para decidir se reduz, mantém ou aumenta a Selic.

Maiores altas desde 2003

Em nenhum outro ciclo de alta dos juros, desde 2003, o aumento foi maior do que 4 pontos, consideradas as séries de ajustes feitos em reuniões consecutivas.

Entre 2013 e 2014, quando a inflação rodava a 6%, o aumento total foi de 3,75 pontos (de uma Selic de 7,25% para 11%), em nove reuniões seguidas, ao longo de um ano inteiro.

O mesmo aconteceu entre 2004 e 2005: foram 3,75 pontos ao longo de nove reuniões — de 16% para 19,75% —, para uma inflação que subia aos 8%.

No mês passado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país, bateu 9,7% em 12 meses.

Esta é também a primeira vez desde 2003 que o Copom recorre ao aumento de 1 ponto nos juros não uma, mas duas vezes seguidas, além de o próprio BC já ter deixado claro no comunicado desta quarta-feira que mais um terceiro aumento de 1 ponto está encomendado para o próximo encontro, em outubro.

Em todos os outros momentos de lá para cá em que a Selic subiu, os diretores do BC optaram por voos mais suaves, em ajustes decimais de 0,25, 0,50 ou 0,75 ponto percentual.

Nem os cortes emergenciais feitos pelo BC no auge da crise da pandemia no ano passado, na direção oposta, foram tão fortes: nas quatro reuniões entre março, quando o coronavírus se instalou no Brasil, e agosto de 2020, o Copom reduziu a Selic em um total de 2,25 pontos, de 4,25% para 2%, com cortes de até 0,75 ponto.

Nos apenas quatro meses entre novembro de 2002 e fevereiro de 2003, o BC esticou a Selic em 5,5 pontos, dos 22% aos 26,5%, em uma série de quatro reuniões consecutivas. A periodicidade das reuniões à época era mais curta. Em uma delas, a alta foi de 3 pontos em um único dia.

O ajuste acompanhava aquela que, ainda hoje, foi a mais aguda crise cambial e inflacionária por qual o país passou desde o fim do regime de câmbio fixo, em 1999: com o temor dos mercados em meio à primeira eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, o dólar dobrou em poucos meses, e a inflação saltou dos 7% para 17%.

Maior choque inflacionário em 18 anos

Por trás da atual escalada vertical da Selic está, primeiro, o fato de ela partir de um piso muito baixo.

“É uma alta que vem de um ciclo longo de cortes, incluindo o choque da pandemia que levou os juros rapidamente para os 2%”, disse o economista Livio Ribeiro, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

Mais do que isso, o país também está enfrentando atualmente um dos piores choques de preços dessas duas décadas, insuflado tanto por fatores externos quanto internos.

“Houve uma combinação de coisas que atrapalharam a inflação”, explica Ribeiro. “O Brasil teve um incremento de demanda rápido, principalmente no ano passado, com os auxílios emergenciais. Mais recentemente temos choques nas cadeias produtivas globais, e, em paralelo, choques climáticos que levaram a oferta de alimentos para baixo e os preços da energia elétrica lá para cima.”

O combo fez com a escalada da inflação em 2021 ser também a mais rápida que o Brasil já viu desde o choque de 2002 e 2003: o IPCA saiu em maio do ano passado de 1,9%, um dos menores níveis desde o início do Plano Real, para 9,7% agora, um dos mais altos. É um salto de 7,8 pontos percentuais em pouco mais de um ano.

Na crise de 2015, ela bateu os 10,7%, mas chegou lá em um ritmo mais gradual e também partindo de um nível bem mais alto, já que a inflação vinha rodando entre 5% e 6% já há algum tempo.

Em 2002, o salto de 10 pontos aconteceu em um intervalo de apenas nove meses, para depois despencar com ainda mais força.

Reduções de juros foram mais fortes

Se há poucos outros momentos neste século em que a intensidade do aumento da Selic se compare com a de agora, nos períodos em que ela foi reduzida os ajustes foram muito maiores.

Entre 2005 e 2007, por exemplo, foram dois anos ininterruptos de cortes que tiraram definitivamente a Selic do nível dos quase 20% em que era normal ficar no passado para chegar à casa dos 11% pela primeira vez (foi um corte de 8,5 pontos percentuais ao longo de 18 reuniões consecutivas do Copom).

Passado o susto de 2003, os juros desceram uma ladeira de 10 pontos em apenas sete meses – do recorde de 26,5% para 16,5% antes de o ano acabar.

Em todos esses episódios, muitos dos cortes feitos pelo Copom nas reuniões foram de 1 ponto ou mais.

“Passamos por um processo longo de redução da taxa de juros de equilíbrio da economia brasileira”, disse Ribeiro, da FGV.

“Por um lado, houve uma redução dessa taxa no mundo inteiro. Por outro, em um horizonte bem longo, há inúmeras mudanças institucionais que ajudaram a comprimir a percepção de risco do Brasil e a levar esses juros para baixo.”

Fonte: CNN Brasil | Imagem Destacada: Reprodução

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Copom eleva taxa básica de juros para 4,25% ao ano

Decisão de elevar a Selic pela terceira vez era esperada pelo mercado

O Banco Central (BC) subiu os juros básicos da economia em 0,75 ponto percentual, pela terceira vez consecutiva. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (16) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), elevou a taxa Selic de 3,5% para 4,25% ao ano. A elevação foi deliberada de forma unânime pelos integrantes do colegiado, que é formado por diretores do BC, e era esperada pelos analistas financeiros.

Em comunicado, o BC indicou que deve seguir elevando a taxa Selic na próxima reunião, marcada para os dias 3 e 4 de agosto. "Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude. Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação", informou o texto.

No comunicado, o Copom destacou que a pressão inflacionária revela-se maior que o esperado, "sobretudo entre os bens industriais". "Adicionalmente, a lentidão da normalização nas condições de oferta, a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, a despeito da recente apreciação do real. O Comitê segue atento à evolução desses choques e seus potenciais efeitos secundários, assim como ao comportamento dos preços de serviços conforme os efeitos da vacinação sobre a economia se tornam mais significativos", informou o comunicado.

Com a decisão de hoje, a Selic continua em um ciclo de alta, depois de passar seis anos sem ser elevada. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em 14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegou a 6,5% ao ano, em março de 2018.

Em julho de 2019, a Selic voltou a ser reduzida até alcançar 2% ao ano em agosto de 2020, influenciada pela contração econômica gerada pela pandemia de covid-19. Esse era o menor nível da série histórica iniciada em 1986. Porém, a taxa começou a subir novamente em março deste ano, passando para 2,75%. Depois, em maio, subiu de novo, para 3,5%.

Inflação

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em maio, o indicador fechou no maior nível para o mês desde 1996. No acumulado de 12 meses, o IPCA acumula alta de 8,06%. De janeiro a maio deste ano, a inflação foi de 3,22%.

O valor está acima do teto da meta de inflação. Para 2021, o Conselho Monetário Nacional (CMN) tinha fixado meta de inflação de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Com isso, o IPCA não poderia superar 5,25% neste ano nem ficar abaixo de 2,25%.

No Relatório de Inflação divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária estimava que, em 2021, o IPCA fecharia o ano em 5% no cenário base. Esse cenário considera um eventual estouro do teto da meta de inflação no primeiro semestre, seguido de queda dos índices no segundo semestre. A projeção oficial só será atualizada no próximo Relatório de Inflação, no fim de junho.

Já a projeção do mercado prevê uma inflação ainda maior, acima até do teto da meta. De acordo com o último boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 5,82%, na 10ª alta consecutiva da projeção.

Crédito mais caro

A elevação da taxa Selic ajuda a controlar a inflação. Isso porque juros maiores encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas mais altas dificultam a recuperação da economia.

No último Relatório de Inflação, o Banco Central projetava crescimento de 3,6% para a economia em 2021, decorrente da segunda onda da pandemia de covid-19. No Boletim Macrofiscal de Maio, divulgado no mês passado pelo Ministério da Economia, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país) para 2021 foi de 3,5%.

O mercado projeta crescimento maior. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 4,85% do PIB este ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

Fonte: Agência Brasil | Imagem Destacada: Reprodução

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