Setor de serviços

Com o resultado, volume de serviços prestados no país superou em 3,9% o patamar pré-pandemia. Apesar da trajetória de recuperação, setor ainda opera 7,7% abaixo do recorde histórico, registrado em novembro de 2014.De acordo com o Fisco, total de microempreendedores com débitos chega a 4,4 milhões. 

O volume de serviços prestados no Brasil avançou 1,1% em julho, na comparação com junho, apontam os dados divulgados nesta terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a 4ª alta mensal seguida, o que levou o setor a atingir seu maior nível em 5 anos.

"Com isso, o setor está 3,9% acima do nível pré-pandemia, em fevereiro de 2020, e também alcança o patamar mais elevado desde março de 2016. Mesmo com o avanço, o setor ainda está 7,7% abaixo do recorde histórico, alcançado em novembro de 2014", informou o IBGE.

Em relação a julho de 2020, o setor registrou alta de 17,8%, a quinta taxa positiva seguida nesta base de comparação. No acumulado no ano, o avanço é de 10,7% e em 12 meses de 2,9%.

Setor de serviços registra quarta alta seguida em julho — Foto: Economia/G1

Setor de serviços registra quarta alta seguida em julho — Foto: Economia/G1

O setor de serviços é o que possui o maior peso na economia brasileira. Ele foi o mais atingido pela pandemia, dadas as restrições de funcionamento impostas aos estabelecimentos, sobretudo daqueles com atendimento presencial.

Entre março e maio de 2020, os três primeiros meses da crise sanitária, o setor de serviços acumulou uma perda de 18,6%. Desde junho daquele ano, porém, ele mantém uma trajetória de recuperação.

"Nesse período todo [entre junho de 2020 e julho de 2021], o setor de serviços acumulou um ganho de 27,6%. Das 14 taxas com ajustamento sazonal [mês contra mês imediatamente anterior], apenas uma foi negativa", destacou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Segundo o pesquisador, a retomada do setor tem sido favorecida pelo avanço da vacinação e do relaxamento das restrições de funcionamento do setor.

Isso é evidenciado pelo indicador acumulado em 12 meses, que iniciou sua trajetória de recuperação em fevereiro e saltou de 0,4% em junho para 2,9% em julho, como mostra o gráfico abaixo:

Indicador acumulado em 12 meses teve salto na passagem de junho para julho — Foto: Economia/G1

Indicador acumulado em 12 meses teve salto na passagem de junho para julho — Foto: Economia/G1

Alta apenas em 2 das 5 grandes atividades

O IBGE destacou que a alta do setor em julho foi sustentada por apenas duas das cinco atividades, em especial, pelos serviços prestados às famílias (3,8%).

Já os serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 0,6% e superaram, pela primeira vez, o patamar pré-pandemia, ficando 0,5% acima de fevereiro de 2020.

“Essas duas atividades são justamente aquelas que mais perderam nos meses mais agudos da pandemia. São as atividades com serviços de caráter presencial que vêm, paulatinamente, com a flexibilização e o avanço da vacinação, tentando recuperar a perda ocasionada entre março e maio do ano passado”, explica o analista da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Em sentido oposto, houve queda no volume de serviços de informação e comunicação (-0,4%), de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-0,2%) e em outros serviços (-0,5%).

“A atividade que mais pressionou negativamente foram os serviços de informação e comunicação. Os segmentos de telecomunicações e serviços de tecnologia da informação apresentaram taxas positivas, mas houve uma pressão muito significativa da parte de audiovisual, edição e agências de notícias, que recuaram 11,6% na passagem de junho para julho”, destacou o pesquisador.

Veja abaixo a variação, na comparação com junho, dos subgrupos de cada grande atividade:

  • Serviços prestados às famílias: 3,8%
  • Serviços de alojamento e alimentação: 4,4%
  • Outros serviços prestados às famílias: 0,9%
  • Serviços de informação e comunicação: -0,4%
  • Serviços de Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC): 0,4%
  • Telecomunicações: 1,0%
  • Serviços de Tecnologia da Informação: 1,2%
  • Serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias: -11,6%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: 0,6%
  • Serviços técnico-profissionais: 4,4%
  • Serviços administrativos e complementares: -0,6%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: -0,2%
  • Transporte terrestre: -0,2%
  • Transporte aquaviário: 4,4%
  • Transporte aéreo: -7,8%
  • Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: -0,2%
  • Outros serviços: -0,5%

 

Serviços não presenciais sustentam retomada do setor

O gerente da pesquisa apontou que, embora as atividades presenciais tenham crescido em julho, são as atividades não presenciais que vêm sustentando a recuperação do setor.

“Com o avanço da vacinação e a maior flexibilização das atividades econômicas, os serviços de caráter presencial seguem avançando, mas ainda num ritmo inferior ao de fevereiro de 2020. O que sustenta o setor de serviços no patamar um pouco abaixo de março de 2016 são os serviços de caráter não presencial, como serviços de tecnologia da informação, serviços financeiros, e armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio, que obtiveram ganhos de receita mais expressivos”, apontou Lobo.

O pesquisador detalhou que entre os serviços financeiros estão as corretoras de títulos e valores mobiliários e a bolsa de valores. A armazenagem inclui serviços de gestão de portos e terminais. Já entre os serviços auxiliares aos transportes e correio estão os serviços de navegação de apoio marítimo, como os rebocadores de plataformas de petróleo e as atividades de agenciamento marítimo.

Serviços prestados às famílias seguem abaixo do patamar pré-Covid

Nos serviços prestados às famílias, o avanço foi puxado pelo desempenho dos segmentos de hotéis, restaurantes, serviços de buffet e parques temáticos, que costumam crescer em julho devido às férias escolares.

Apesar do avanço em julho, os serviços prestados às famílias ainda operam 23,2% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, segundo o IBGE. Essa é a única das cinco atividades que ainda não superou o nível pré-pandemia. Já dentre os 12 subgrupos das cinco grandes atividades, metade as perdas registradas desde o início da crise sanitária.

“Isso é compreensível já que se trata da atividade em que há a maior concentração de serviços prestados de forma presencial. É uma atividade que lida com restrições de oferta. Alguns estabelecimentos fecharam e outros reabriram, mas ainda não operam com plena capacidade. No lado da demanda, há pressão por conta da falta de avanço da massa de rendimento das famílias e do nível de desemprego elevado, que impedem que esse serviço cresça na mesma forma que os demais apurados dentro do setor”, explicou o gerente da pesquisa.

Lobo enfatizou que as atividades que apresentam desempenho mais expressivo são aquelas dos serviços prestados às empresas, não às pessoas físicas, ou seja, às famílias.

São elas as dos serviços de tecnologia de informação, os técnico-profissionais, o transporte aquaviário e os de armazenagem, auxiliares aos transportes e correio.

Questionado sobre a dificuldade de recuperação dos serviços prestados às famílias, Lobo apontou que "para chegar a um patamar similar àquele de 2020", esse segmento depende de uma melhora da renda da população, o que passa pela recuperação do mercado de trabalho.

"Em algum momento futuro, a gente vai ter que ter uma massa de rendimento mais polpuda e significativa pra consumir mais serviços. Atualmente, ainda não há pressão dessas variáveis na escolha das famílias para consumir serviços", avaliou o pesquisador.

As cinco grandes atividades do setor de serviços recuperaram o patamar pré-pandemia. — Foto: Economia/G1

As cinco grandes atividades do setor de serviços recuperaram o patamar pré-pandemia. — Foto: Economia/G1

Alta em 15 das 27 Unidades da Federação

O volume de serviços cresceu em 15 das 27 unidades da federação na passagem de junho para julho. As altas mais relevantes vieram de São Paulo (1,4%), seguido por Rio Grande do Sul (3,4%), Minas Gerais (1,2%), Pernambuco (4,1%) e Paraná (1,5%). Já a principal queda foi registrada no Rio de janeiro (-4,4%).

Atividades turísticas têm 3ª alta seguida

O índice de atividades turísticas subiu 0,5%, na terceira taxa positiva consecutiva. O segmento, entretanto, ainda necessita crescer 32,7% para retornar ao patamar pré-pandemia

Oito das 12 regiões pesquisadas tiveram avanço, com destaque para Pernambuco (9,5%), Santa Catarina (9,4%), Bahia (6,1%) e Rio de Janeiro (2,1%).

Perspectivas

Na semana passada, o IBGE mostrou que as vendas do comércio varejista cresceram 1,2% em julho, na quarta alta mensal seguida.

A retomada do setor de serviços e da economia, entretanto, é desigual, com as atividades de caráter mais presencial sem ainda ter conseguido retomar o pleno funcionamento.

Para o economista da XP Rodolfo Margato, "os serviços prestados às famílias devem seguir liderando a recuperação do setor terciário (e do PIB total) nos próximos meses". Ele destacou que "maior proporção do consumo das famílias vem sendo deslocada do mercado de bens (comércio) para o setor de serviços, movimento que deverá ser observado até o final deste ano".

Todavia, em um cenário de aumento das incertezas e de piora das expectativas em razão da tensão política, de agravamento da crise hídrica e de inflação de quase dois dígitos no acumulado em 12 meses, o mercado financeiro tem revisado para baixo as projeções para a economia brasileira.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), os analistas reduziram a estimativa de alta em 2021, de 5,15% para 5,04%. Para 2022, a projeção de crescimento da economia baixou de 1,93% para 1,72%, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central.

Fonte: G1 | Imagem Destacada: Reprodução

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